terça-feira, 28 de setembro de 2010

Energia Nuclear – Vantagens e Desvantagens


Como todos sabemos, a energia nuclear é uma das alternativas energéticas mais debatidas no mundo: comenta-se, entre outros tópicos, se valerá a pena implementar centrais de produção nuclear ou se devemos apostar noutro tipo de energias que sejam renováveis, pois como sabemos a energia nuclear não é renovável, uma vez que a sua matéria-prima são elementos químicos, como ourânio, extraídos de minerais (no caso do urânio, um dos minerais utilizados é a autonite).

Apresentamos aqui algumas vantagens e desvantagens:

Vantagens:
- não contribui para o efeito de estufa (principal);
- não polui o ar com gases de enxofre, nitrogénio, particulados, etc.;
- não utiliza grandes áreas de terreno: a central requer pequenos espaços para sua instalação;
- não depende da sazonalidade climática (nem das chuvas, nem dos ventos);
- pouco ou quase nenhum impacto sobre a biosfera;
- grande disponibilidade de combustível;
- é a fonte mais concentrada de geração de energia
- a quantidade de resíduos radioactivos gerados é extremamente pequena e compacta;
- a tecnologia do processo é bastante conhecida;
- o risco de transporte do combustível é significativamente menor quando comparado ao gás e ao óleo das termoelétricas;
- não necessita de armazenamento da energia produzida em baterias;

Desvantagens:
- necessidade de armazenar o resíduo nuclear em locais isolados e protegidos*;
- necessidade de isolar a central após o seu encerramento;
- é mais cara quando comparada às demais fontes de energia;
- os resíduos produzidos emitem radiactividade durante muitos anos;
- dificuldades no armazenamento dos resíduos, principalmente em questões de localização e segurança;
- pode interferir com ecossistemas;
- grande risco de acidente na central nuclear.

* esta desvantagem provavelmente durará pelo menos uns 30 anos, a partir de quando já se esperam desenvolvidas tecnolgias para reciclagem e reaproveitamento dos resíduos radioactivos.

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Observação:

– ao contrário do que muita gente pensa, a energia nuclear não é uma energia suja;

– os impactos ambientais causados pela deposição do resíduo radioactivo não são muito maiores que os impactes do lago de uma hidroeléctrica.

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Contamos também consigo para indicar mais tópicos relacionados com o tema. Comente, deixe a sua opinião.

Volte sempre...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Obesidade Mórbida

Obesidade mórbida é definida, como o nome indica, como sendo aquela que traz consigo as doenças, ou o alto risco de adquiri-las, associadas ao excesso de peso. A obesidade é, atualmente, um dos maiores problemas de saúde pública no mundo ocidental, atingindo cerca de um terço da população e com aumento progressivo de incidência sendo por isso chamada de a "epidemia" do terceiro milênio. No Brasil, cerca de 15% dos adultos são obesos.

A obesidade não é um problema moral ou de falta de vontade, mas sim um sério problema médico, geralmente mal tratado e com muitas causas, envolvendo componentes genéticos, metabólicos, hormonais, comportamentais, culturais, psicológicos e sociais.

Dentre as várias doenças associadas à obesidade, as mais freqüentes são a hipertensão arterial, diabetes, doenças nas articulações - principalmente coluna baixa e membros inferiores -, insuficiência respiratória, apnéia do sono, varizes e trombose nas veias das pernas, doenças coronarianas, derrame cerebral, perda de urina - em mulheres, impotência, infertilidade e vários tipos de cânceres (mama, útero, intestino). Estas doenças, não só pioram a qualidade como também diminuem o tempo de vida do obeso em 20%.

O tratamento conservador da obesidade, através de mudanças no hábito alimentar, comportamental, exercícios físicos e medicamentos tem o seu lugar, porém, são ineficazes quando se trata de obesidade mórbida - Índice de Massa Corporal maior que 40 -. Vários estudos demonstram que, mesmo com emprego de novos medicamentos emagrecedores como a sibutramina, a cada 100 pacientes tratados apenas 34 conseguem perda ponderal de 10% ao final de 12 meses, perda esta que é muito pequena considerando-se o obeso mórbido.

Além destes maus resultados na perda ponderal, o tratamento conservador falha na manutenção desta perda com o passar do tempo, sendo que a quase totalidade dos pacientes recupera o peso perdido e, muitas vezes, ultrapassam-no após 5 anos de acompanhamento.

Desta forma, no consenso mundial sobre tratamento da obesidade, organizado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, em 1991, ficou estabelecido que o único tratamento eficaz na perda e manutenção ponderal do obeso mórbido é o tratamento cirúrgico.

CLASSIFICAÇÃO DA OBESIDADE

Para se graduar a obesidade, é adotado pela Organização Mundial da Saúde o Índice de Massa Corporal (IMC) que é encontrado pela formula:

IMC = Peso em kilos dividido pelo resultado da multiplicação da Altura em metros por ela mesma. Exemplo, uma pessoa de 1,70 m e peso de 90 kg tem um IMC = 31, 14, ou seja, tem uma Obesidade Leve. Assim, de acordo com a tabela abaixo são classificadas as diferentes categorias de obesidade.

ÍNDICE DE MASSA CORPORAL - CATEGORIA

IMC de 20 a 25 - Peso Saudável
IMC de 25 a 30 - Sobrepeso
IMC de 30 a 35 - Obesidade Leve
IMC de 35 a 40 - Obesidade Moderada
Acima de 40 - Obesidade Mórbida

QUANDO ESTÁ INDICADA A CIRURGIA?

A cirurgia, também por consenso mundial, esta indicada naqueles obesos que preencherem os seguintes critérios:

Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 40

IMC maior que 35 com doenças associadas à obesidade

Falhas de tratamentos conservadores prévios sob orientação profissional

Ausência de doenças com riscos inaceitáveis para cirurgia

Ausência de doenças endócrinas como causa da obesidade

Ausência de psicopatias graves, incluindo viciados em droga e álcool.

QUAIS OS OBJETIVOS DA CIRURGIA?

O objetivo do tratamento cirúrgico é não só eliminar ou minimizar as doenças associadas à obesidade, como também resolver os problemas psicológicos e sociais causados pela mesma nas coisas mais simples da vida. Como na higiene pessoal, problemas de locomoção, atividades sociais, sexuais e no trabalho.

Resumindo, o objetivo do tratamento cirúrgico é melhorar não somente a qualidade, como também o tempo de vida do obeso, resolvendo os problemas de ordem física e psicossocial que o excesso de peso acarreta.

QUAIS OS TIPOS DE TÉCNICAS DE CIRURGIA PARA OBESIDADE MÓRBIDA?

Existem basicamente 3 tipos de cirurgias para o tratamento da obesidade: as restritivas, as má absortivas e as híbridas.

As primeiras cirurgias para obesidade iniciaram-se na década de 50 e eram do tipo má absortiva, ou seja, diminuíam o tamanho do intestino delgado de cerca de 6 a 7 metros para 35 a 45 cm de extensão, fazendo com que os alimentos não fossem adequadamente digeridos e absorvidos levando à diarréia e má absorção. A perda ponderal com este método era alta - 60% a 70% do peso -, porém complicações graves surgiram com o tempo levando à altas taxas de mortalidade, fazendo com que fossem totalmente abandonadas.

Nos anos 80, iniciou-se a era das cirurgias restritivas, ou seja, aquelas que restringem a ingestão alimentar por diminuição do volume do estômago de aproximadamente 2,0 litros para algo em torno de 20 ml promovendo assim, saciedade precoce. Com esta técnica a perda ponderal média ao final de 1 ano é de 20 % a 25% porém, a partir do 2º ano os pacientes novamente voltam a ganhar peso, principalmente aqueles que ingerem alimentos líquidos e pastosos altamente calóricos, como sorvete, leite condensado e pudins.

Baseando-se no mesmo princípio restritivo estão as bandas, ou prótese de silicone, inicialmente colocadas por cirurgia aberta e ultimamente por laparoscopia. Estas bandas "estrangulam" a parte superior do estômago formando um estômago em "ampulheta" dificultando o esvaziamento do compartimento superior para o inferior, levando da mesma forma acima citada à saciedade precoce, e como aquela, promove perda ponderal semelhante (20% a 25 %) e reganho de peso a partir do 2º ano. Deve, portanto, ter sua indicação bem precisa, já que para os grandes obesos e comedores de doce traz maus resultados. Outras desvantagens são o custo - cerca de 2.000 dólares - e a durabilidade da prótese de aproximadamente 15 anos.

No final dos anos 80 e início dos anos 90, surgiu o tipo híbrido de cirurgia para obesidade, o qual associava a restrição através da redução do estômago com uma leve má absorção através da diminuição de apenas 1 metro do intestino. Esta cirurgia foi desenvolvida pelo cirurgião colombiano Rafael Capella, radicado nos Estados Unidos e leva o seu nome.

Com essa técnica a perda ponderal média após 1 ano chega a 40 % do peso pré-operatório e mantém-se assim com o passar dos anos. Esta é atualmente a técnica mais utilizada em todo o mundo, inclusive no Brasil, sendo considerada no momento o padrão ouro do tratamento cirúrgico da obesidade mórbida.

QUAIS OS RISCOS DA CIRURGIA?

O risco é o mesmo de qualquer outra cirurgia de grande porte, mas existe e deve ser considerado. Abertura dos grampos ou das emendas podem ocorrer, mas é pouco comum, podendo levar o paciente a uma nova cirurgia. Embolia pulmonar - sangue coagulado nos pulmões -, e morte podem ocorrer, como em qualquer cirurgia, mas é raro (1%). No pós-operatório tardio poderá ocorrer queda de cabelo por volta do terceiro mês, mas recuperável. Pode ainda ocorrer vômitos esporádicos e diarréia associada a mal estar quando se comer doces.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Negligenciar o meio ambiente é abrir mão da própria saúde, alertam especialistas.

Nevoa de poeira cobre a cidade de São Paulo na manhã de 04.09.2010; a cada ano, 4.000 paulistanos morrem por problemas decorrentes da poluição

Noites mal dormidas, problemas respiratórios, dor de cabeça, ardência e ressecamento dos olhos, arritmia cardíaca. Esses são alguns dos sintomas que muita gente sentiu em agosto devido à baixa umidade do ar em certas regiões do país.

Para especialistas em ecologia médica, ciência que observa todos os fatores ambientais e suas relações com a saúde, esse fenômeno não pode ser analisado de forma isolada, pois o que se vê é a pendência de uma crise mundial que clama por solução.

Na opinião do médico Alex Botsaris, especialista em doenças infecciosas e parasitárias e autor do livro "Medicina ecológica – descubra como cuidar da sua saúde sem sacrificar o planeta" (Ed. Nova Era), doenças como o câncer, depressão, ansiedade, infertilidade, dores na coluna e problemas neurovegetativos e no fígado são exemplos de patologias que podem ter o ambiente como fator desencadeante.

“Não dá para ter saúde num planeta doente”, afirma a bióloga Waverli Maia Matarazzo Neuberger , coordenadora do Núcleo Ambiental e do Curso de Gestão Ambiental da Universidade Metodista de São Paulo.

A especialista diz que, para entender esse fenômeno, primeiro é preciso lembrar que o homem não é um ser isolado, mas integrante do ecossistema. “A natureza reflete o que o homem é. Basta pensar nos rios, exatamente como o sistema circulatório do corpo humano. Para a terra, eles são as veias que permitem o fluxo da natureza. E o que temos feito com eles? É só olhar nas margens de qualquer rio para saber”, descreve. “Com o nosso corpo não agimos diferente: comemos mal, temos um estilo de vida sedentário, e o resultado são as doenças cardiovasculares”, completa.

No limite

Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas de SP, pondera que a ecologia médica não deve ser vista como um novo modelo que prega apenas atitudes politicamente corretas. Para o toxicologista, o respeito entre o homem e seu ambiente é um valor que faz parte de todas as culturas desde muito tempo. “O problema é que ele foi esquecido”, diz. “O princípio que rege esse valor se resume em não fazer para os outros o que você não deseja para si”.

Exposição a substâncias tóxicas começa em casa

Quando se pensa no impacto da degradação do meio ambiente à saúde, é fácil pensar na fumaça dos caminhões, em solos contaminados e nos mares poluídos. Mas a exposição às substâncias tóxicas também pode ocorrer dentro de casa. Dados da Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) indicam que materiais de construção, móveis, tabaco, fogões a lenha e outros objetos podem ser fatores de risco para o desenvolvimento de alergias, asma e até câncer, além de prejudicar o sistema imunológico.

Wong comenta que estamos vivendo uma situação limite, mas a maioria das pessoas está alienada ou já se esqueceu dos danos ambientais e suas consequências. Cita como exemplo Cubatão, o bairro de Ermelino Matarazzo e algumas regiões do ABC paulista, locais onde há espaços considerados desérticos em razão da desativação de lixões ou indústrias petroquímicas e automotivas. “Apesar disso, nada mudou”.

“No início da década de 2000, um condomínio popular construído em Mauá, sobre um terreno antes ocupado por um depósito de lixo a céu aberto, trouxe muitos prejuízos à saúde de seus moradores. O problema foi tão grave que a área teve que ser desocupada, sem falar da morte de uma pessoa após uma explosão causada pelo vazamento de gás metano", lembra Wong.

De acordo com os especialistas, todos os dias as pessoas estão expostas a agentes tóxicos, seja em ambientes fechados, seja nas ruas. A lista dessas substâncias é tão extensa, que nenhum deles arrisca especificá-las. Wong afirma que compostos como esses nos cercam por todos os lados; estão presentes na terra, na água e no ar.

Poluição

O médico Paulo Saldiva, coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), fornece alguns dados que esclarecem a situação atual. “A cidade está doente, e o danos maiores vão para as camadas sociais mais baixas. Quando há uma enchente, para elas aumenta o risco de contrair doenças como a leptospirose e a hepatite B”.

Saldiva cita outro exemplo de desigualdade: todos convivem com a poluição. Mas quem anda pelos corredores e principais avenidas, à espera de ônibus, está mais exposto às altas doses de gases emitidos pelos ônibus, capazes de poluir nove vezes mais do que os veículos europeus.

O médico conta que esse tipo de poluição é a causa de 1 em cada 10 infartos, e 8 em cada 100 cânceres do pulmão em não fumantes.

Ele também informa que, a cada ano, 4.000 paulistanos morrem por problemas decorrentes da poluição; no mesmo período há 100 óbitos por Aids e 500 por tuberculose. “Enquanto isso, a quantidade de carros continua aumentando, ainda que nos horários de pico a velocidade máxima seja de 8 km por hora”, critica.

"Concluímos que a exposição a altos níveis de poluentes atmosféricos pode influenciar até no sexo dos bebês, fazendo prevalecer o nascimento de meninas".

Simone El Khouri Miraglia, professora do curso de engenharia química da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

A engenheira química Simone El Khouri Miraglia, professora do curso de engenharia química da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coautora de um estudo publicado recentemente na revista "Fertility and Sterility", mostra como a poluição tem efeitos que muita gente jamais associaria ao meio ambiente: “Concluímos que a exposição a altos níveis de poluentes atmosféricos pode influenciar até no sexo dos bebês, fazendo prevalecer o nascimento de meninas”.

A alta concentração de poluentes aumenta também a frequência nos pronto-socorros. As pessoas são medicadas e voltam para suas casas. Segundo Neuberger, “Esses pacientes são verdadeiros sentinelas que anunciam a necessidade de uma mudança”.

Agentes de maior risco

Para o infectologista Botsaris, embora seja difícil enumerar tantos agentes tóxicos, existem grupos que ele considera mais agressivos para a saúde: os defensivos agrícolas, metais pesados (chumbo, cobre etc), policlorados (substâncias usadas pela indústria de eletroeletrônicos), bem como polímeros antichamas, capazes de penetrar no corpo humano por meio da pele. “Existem ainda as dioxinas, formadas a partir de plásticos e outras químicas. Quando há combustão desses produtos, eles são altamente tóxicos, mesmo em pequenas quantidades”, diz.

As pessoas mais suscetíveis ao impacto desses poluentes são as crianças, os idosos e os portadores de doenças crônicas. Mas na opinião de Fernando Bignardi, coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp e diretor do Centro de Ecologia Médica Florescer da Mata, os mais sensíveis são os que fazem as coisas de forma automática, sem tomar contato com a própria intuição. Esse seria o perfil dos que têm um estilo de vida estressado, dão pouca atenção ao sono e à alimentação. “Agir assim, leva naturalmente a alterações nas defesas naturais do organismo. Aí a doença se manifesta para lembrar a importância de buscar o equilíbrio. A pessoa pode ser fiel a isso, mudar a vida e se recuperar. Ou não!”.

Luz no fim do túnel?

Os especialistas são unânimes quanto ao fato de que estamos longe de políticas sanitárias e ambientais sérias, capazes de garantir sustentabilidade e evitar custos na saúde. “Os custos não são só de natureza econômica. Há ainda um preço a ser pago pela perda de bem-estar, longevidade, faltas no trabalho, sem falar do sofrimento causado por todas essas circunstâncias”, diz Miraglia.

Saldiva pondera que as pessoas têm falado muito e feito pouco. Na sua opinião, “educação, exemplo, noção de limites e de aspectos éticos, bem como eventual litigância, podem ser a solução do problema”.

Wong diz que o ideal seria a conscientização em massa de que as ações atuais afetam a sociedade e o ambiente como um todo e interagem entre si. Embora se saiba que nem todos ainda foram afetados diretamente pelas consequências da degradação ambiental, “é preciso ter em mente que o conjunto desses fatores contribui para a diminuição da qualidade de vida, tornam as pessoas mais suscetíveis fisicamente, o que resulta no aumento do risco de doenças”.

“Parece utópico dizer que cada um precisa fazer sua parte. Mas continuar nesse ritmo e condições levará à inviabilidade da vida para as próximas gerações. Não temos muita saída: ou consertamos isso, ou não teremos mais onde ficar”, conclui o toxicologista.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dia da Árvore - Nosso assunto é Desmatamento


Introdução

Para chamar atenção à questão do desmatamento oudeflorestamento, Harrison Ford, astro dos filmes Indiana Jones, depilou seu peito diante das câmeras

. "Cada porção de floresta tropical destruída lá... nos prejudica seriamente aqui", ele disse aos espectadores, enquanto seu peito era depilado [fonte: AP]. O comercial de serviço público de Ford era em benefício de uma organização ambiental chamada Conservation International, que busca prevenir o desmatamento.

Por que o desmatamento levaria um astro de cinema a depilar o peito?

Desmatamento é a remoção ou destruição de grandes áreas de floresta oufloresta tropical. Ele acontece por muitas razões, como exploração madeireira ilegal, agricultura, desastres naturais, urbanização e mineração. Há diversas maneiras de remover florestas --queima

das e o corte de árvores são dois métodos. Ainda que o desmatamento aconteça em todo mundo, atualmente, ele é uma questão especialmente crítica nas florestas tropicais da Amazônia, já que a única grande floresta ainda em pé no mundo. Lá, as espécies de plantas e animais que elas abrigam vêm desaparecendo em ritmo alarmante. Em agosto de 2008, por exemplo, especialistas mediram a destruição de floresta na Amazônia em 756 quilômetros quadrados, o equivalente a metade do território da cidade de São Paulo [fonte: Folha Online].



Os efeitos do desmatamento são duradouros e devastadores. Espécies inteiras de insetos e animais desaparecem devido à destruição de seus habitats. O desmatamento pode causar também inundações catastróficas. E os cientistas consideram que o desmatamento tem efeito significativo sobre as alterações climáticas ou aquecimento global.

Se o desmatamento é tão destrutivo, por que ele acontece? O que vem promovendo a destruição das florestas? Para descobrir mais sobre as causas e efeitos do desflorestamento, leia as próximas seções.

Fatos e Números sobre o desmatamento

· O desmatamento no Mundo acontece à razão de 130 mil quilômetros anuais. Trata-se de uma área de tamanho semelhante ao da Inglaterra.

· África e América do Sul sofrem as maiores perdas mundiais de florestas.

· As florestas tropicais abrigam mais de metade das espécies do planeta.

· As florestas do planeta armazenam mais de 283 gigatons de carbono. No entanto, esse total se reduz em 1,1 G tonelada anual devido ao desmatamento.

· 84% das florestas mundiais são propriedade pública.

· No caso da Amazônia brasileira, cerca de 75% estão em áreas públicas.

· A principal causa do desmatamento é a atividade humana.

· Apenas 11% das florestas mundiais são classificadas como áreas de conservação.

[fontes: FAO e Conservation International]


Causas do desmatamento

Em termos gerais, a culpa pelo desmatamento cabe à atividade humana, ainda que desastres naturais também influenciem. Assim, vamos estudar de que maneira os seres humanos provocam desmatamento.

Exploração madeireira, ou o corte de árvores em florestas para usá-las como fonte de madeira, é um fator básico de desflorestamento. Isso afeta o ambiente de diversas maneiras. Porque caminhões e equipamentos precisam chegar à floresta a fim de se aproximar das árvores e transportar a madeira, é preciso desmatar grandes áreas para estradas. A exploração seletiva ou manejo florestal de madeira é uma das principais alternativas para a diminuição do desmatamento. No entanto, essa prática ainda não é disseminada no Brasil, como pode ser visto no artigo do ComoTudoFunciona. A cobertura florestal é importante para o ecossistema da floresta porque abriga e protege as populações vegetais, animais e de insetos. Também protege o solo da floresta, o que desacelera a erosão do solo.

A agropecuária é outro fator que provoca o desmatamento. Os agricultores tendem a limpar terras para semear ou criar gado e muitas vezes desmatam largas áreas por meio de queimadas e derrubadas de árvores. Os agricultores migratórios limpam uma área florestal e a empregam até que a terra se degrada demais para sustentar safras. Depois, se transferem e limpam outra porção de floresta. Caso a área que abandonaram seja deixada intocada, acontece reflorestamento, mas ela demorará muitos anos até retornar ao seu estado original, se não houver o devido acompanhamento. No caso brasileiro, há ainda os grileirosde terra que acabam se apropriando ilegalmente das terras, através do desmatamento seja com o simples corte de madeira ou com a queimada.

Outro aspecto são as represas das usinas hidrelétricas que provocam bastante polêmica, embora ajudem a gerar energia para as comunidades, também contribuem para o desmatamento. Os oponentes de sua construção acreditam que erguer esse tipo de estrutura não apenas tem impacto ambiental negativo mas abre a área à exploração madeireira e a mais estradas [fonte: Colitt]. Para construir uma represa hidrelétrica, muitos hectares de terras precisam ser inundados, o que causa decomposição e a liberação de gases causadores do efeito-estufa. Moradores locais também podem ser deslocados pelos projetos de represas, causando ainda mais desmatamento quando eles se assentam em outras áreas.

Incêndios, tanto acidentais quando deliberados, destroem largas áreas de floresta rapidamente. As áreas de exploração madeireira são mais suscetíveis a incêndios devido ao número de árvores secas e mortas. Os invernos mais amenos e os verões mais longos causados pelo aquecimento global também causam incêndios. Por exemplo, certas espécies de besouro que usualmente morrem no inverno agora podem sobreviver e continuar se alimentando das árvores. Essa alimentação causa o ressecamento e morte das árvores, e a madeira morta se torna combustível para o fogo [fonte:Environmental Defense Fund].

A mineração também resulta em desmatamento. Escavar uma mina de carvão, diamantes ou ouro requer a remoção de toda cobertura florestal, não só para as minas mas para os caminhões e equipamentos. Recentemente, a Venezuela negou a uma empresa chamada Crystallex permissão para escavar uma mina, devido a preocupações ambientais [fonte: Walter e Bailey]. No Brasil, a questão mineral é monitorada pelo Ibama que exige a apresentação de um EIA/Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente) para o funcionamento. Uma das maiores mineradoras do mundo, a Vale, que tem a maior parte das suas minas no Pará conta com um plano de mitigação com a criação e manutenção de reserva com a que fica em Carajás, no sul do Pará.

O óleo de palma ou dendê vem recentemente recebendo atenção dado o seu potencial como biocombustível, e é usado em muitos produtos industrializados e de beleza. Mas o óleo de palma é outra causa de desmatamento. A alta nos preços o torna mais valioso, e em resposta agricultores indonésios e malásios destroem áreas florestais para colhê-lo. Por isso, diversos países já vem debatendo a questão do uso do óleo de palma como biocombustível. No Brasil, a Palma é mais timidamente cultivada com uma produção em escala limitada a região do município de Tailândia no Pará. A cana-de-açúcar também usada para o biocombustível tem seu cultivo proibido na Amazônia e, até 2007, não havia provocado muito desmatamento já que usou áreas onde antes eram cultivados grãos.

À medida que as cidades crescem para acomodar mais pessoas, árvores são cortadas para abrir mais espaço para ruas e casas. O desmatamento causado pela expansão urbana acontece em todo o mundo, agora que mais de 50% da população mundial vive em cidades [fonte: CNN].No Brasil, a drática diminuição da Mata Atlântica, que hoje conta com apenas 7% da sua formação original, é o exemplo mais acabado do efieot nocivo da expansão urbana.

Assim, de que modo todo esse desmatamento nos afeta, em termos locais e globais? Leia as próximas seções para descobrir sobre os efeitos negativos do desmatamento.

O motor a vapor provocou o desmatamento?


No começo do século 19, motores a vapor eram usados apenas em minas de carvão. Sua ineficiência só tornava útil empregá-los nas minas, onde o combustível era abundante. Enquanto isso, o desmatamento tornava a madeira escassa na Inglaterra e França, e os dois países começaram a usar o carvão.

Enquanto os mineiros cavavam mais e mais fundo para extrair carvão, os motores a vapor ineficientes ganhavam eficiência.Em breve, eles evoluíram para a forma moderna dos motores a vapor, que serviu de fundação à Revolução Industrial.

Efeitos do desmatamento

Os cientistas vêm encontrando mais e mais conexões entre o desmatamento e o aquecimento global. As emissões de carbono criadas por quatro anos de desmatamento equivalem às emissões de todos os vôos de aviões ao longo da História, até o ano 2025 [fonte: New York Times]. Vamos aplicar lógica simples: árvores absorvem dióxido de carbono. Assim, menos árvores querem dizer mais dióxido de carbono no ar. Mais dióxido de carbono quer dizer efeito-estufa mais intenso, o que resulta em aquecimento global. (Você pode ler mais sobre o efeito-estufa em O que é o efeito-estufa? e sobre o ciclo do carbono, clicando aqui.)

Outra preocupação quanto ao desmatamento é a redução dabiodiversidade. As florestas tropicais, supostamente as maiores vítimas de desmatamento, cobrem apenas 7% da superfície do planeta Terra. No entanto, dentro dessa área vivem mais de metade das espécies de plantas e animais da Terra. Algumas dessas espécies só vivem em áreas pequenas e específicas, o que as torna especialmente vulneráveis à extinção. À medida que a paisagem se altera, algumas plantas e animais se tornam simplesmente incapazes de sobreviver. Espécies que variam de pequenas flores a grandes orangotangos estão sob ameaça ou se extinguiram. Os biólogos acreditam que a chave para a cura de muitas doenças está na biologia dessas plantas e animais raros, e que a preservação é crucial [fonte: Lindsey].

A erosão do solo, embora seja um processo natural, se acelera em caso de desmatamento. As árvores e plantas agem como barreira natural que desacelera a queda da água quando esta deixa a terra. As raízes firmam o solo e impedem que a terra solta seja arrastada. A ausência de vegetação faz com que a terra superficial passe por mais erosão. É difícil para as plantas crescer no solo menos nutritivo que permanece.

Porque as árvores liberam vapor de água na atmosfera, menos árvores significa menos chuva, o que perturba o nível superficial de água. Uma redução no nível superficial de água pode ser devastadora para os agricultores, que não conseguem manter suas safras vivas em terra tão seca [fonte:USA Today].

Por outro lado, o desmatamento pode também causar inundações. A vegetação costeira reduz o impacto das ondas e dos ventos associados às tempestades marinhas. Sem essa vegetação, as aldeias costeiras ficam suscetíveis a inundações destrutivas. O ciclone de 2008 em Mianmar provou esse fato catastroficamente. Os cientistas acreditam que a remoção das florestas em zonas costeiras alagadas, ao longo dos últimos 10 anos, fez com que o ciclone atingisse o país com muito mais força [fonte: Nações Unidas].

O desmatamento também afeta as populações locais, tanto física quanto culturalmente. Porque muitos povos indígenas, na verdade, não têm direito legal sobre as terras que ocupam, os governos que desejem usar as florestas como fonte de lucros podem "despejá-los". Além disso, a ocupação ilegal, que acontece mesmo quando os índios têm as terras demarcadas, acaba diminuindo o habitat tradicional dessas populações. À medida que essas populações deixam a floresta tropical, deixam também sua cultura para trás [fonte: Plotkin].

O que aconteceu na Ilha de Páscoa?


Rapa Nui, mais conhecida como Ilha de Páscoa, é um dos mistérios duradouros do planeta. Seus colonizadores polinésios chegaram entre o ano 800 e o 1200. Construíram gigantescas estátuas de pedra em honra de seus ancestrais. As estátuas são obras de arte, com peso de toneladas e altura de quatro metros. Depois de alguns séculos de civilização, eles decidiram abandonar a ilha. Por quê?

A teoria mais comum é o desmatamento. Os moradores da Ilha de Páscoa dependiam de palmeiras gigantescas que cobriam a ilha. Cortaram árvores para fins agrícolas, como lenha e para suas construções. As árvores se esgotaram. Quando os recursos naturais chegaram ao fim, as pessoas também tiveram de partir. Os colonizadores holandeses que chegaram à ilha por volta de 1700 encontraram uma paisagem vazia e estéril.


Maneiras de reduzir o desmatamento e reparar os danos

Em dezembro de 2007, a Conferência da Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas foi realizada em Bali, Indonésia. Depois de 10 dias de intensas discussões, mais de 180 países fecharam acordo quanto ao Bali Roadmapou Acordo de Bali. O acordo, que é considerado uma revisão do Protocolo de Kyoto, norteará os países signatários em seus esforços de redução de emissões e pretende conduzir a um acordo compulsório durante a conferência de cúpula das Nações Unidas na Dinamarca, em 2009 [fonte:Harris e ICTSD]. Os Estados Unidos e a China inicialmente não concordaram com reduções compulsórias, porque desejam que os países estabeleçam metas próprias, mas terminaram por ceder [fonte: USA Today].

O plano inclui medidas específicas para reduzir o desmatamento -- nas florestas tropicais especialmente. Muitos países em desenvolvimento dependem economicamente de suas florestas, e argumentam que deveriam poder usar sua terra como preferirem. Em resposta, o plano investigará sistemas que recompensarão financeiramente os países que reduzirem suas emissões por uma certa porcentagem (que ainda não foi definida). Mesmo essa proposta enfrenta controvérsias, no entanto. Porque os países com um índice mais elevado de desmatamento receberão mais créditos compensatórios, muitos críticos temem que as nações acelerem seu corte de árvores a fim de elevar seu índice de referência [fonte: Tickell].

Além da ONU, existem dezenas de organizações sem fins lucrativos trabalhando no combate e na busca de alternativas sustentáveis ao desmatamento. Algumas das mais conhecidas são:

· Conservation International -- ensina agricultores locais a maximizar o uso de sua terra existente, em lugar de desmatar novas áreas

· World Wildlife Fund -- trabalha para definir políticas públicas e forma alianças com comunidades para preservar florestas

· Rainforest Action Network -- usa campanhas publicitárias agressivas para chamar a atenção quanto à situação das florestas tropicais

· Environmental Defense Fund -- defende projetos de lei que ofereçam incentivos financeiros a proprietários de terra (como os fazendeiros) adeptos de práticas de conservação da terra

· Sierra Club -- trabalha para proteger e restaurar as florestas dos Estados Unidos

· Amazon Watch -- defende os direitos dos povos indígenas e de comunidades que têm de enfrentar o desenvolvimento industrial

· Nature Conservancy -- desenvolveu diversas iniciativas de promoção da conservação

Além dessas organizações governamentais que têm braços no Brasil, mas que são essencialmente internacionais, há importantes ongs, com ou sem financiamento internacional, que trabalham no Brasil.

· Grupo de Trabalho Amazônia - reúne associações ligadas a comunidades tradicionais e de agricultores da região.

· Imazon - Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia - trabalha com a pesquisa dos impactos da exploração madeireira e alternativas de baixo impacto para a exploração.

· Ipam - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia - trabalha com manejo florestal de vários produtos e projetos com populações tradicionais, além de diagnósticos sobre desmatamento.

· SOS Mata Atlântica - Como foco na conservação do que restou da Mata Atlântica e alternativas para o reflorestamento.

Será que temos de fato a capacidade de salvar as florestas? Quando as árvores se forem, é possível restaurar a terra? A maioria das áreas desmatadas, se intocadas, terminam por se regenerar de modo fértil. Podemos certamente plantar mais árvores -- um processo conhecido comoreflorestamento. De fato, muitas organizações sem fins lucrativos surgiram para apoiar o reflorestamento. Por exemplo, o Carbonfund.org opera hoje no reflorestamento de áreas como a Nicaragua e o Estado da Lousiana [fonte:Carbonfund.org].

Enquanto isso, novos movimentos de proteção florestal surgiram nos últimos anos, entre eles:

· Exploração ecoflorestal ou exploração sustentável da floresta - Apenas árvores cuidadosamente selecionadas são cortadas, e transportadas com danos mínimos para a área. O ecossistema da floresta é preservada mas a extração comercial de madeira continua possível. Veja mais detalhes em outro artigo do ComoTudoFunciona, clicando aqui.

· Negócios ecológicos - Papel reciclado, produtos de madeireiros, artesanato local, alternativas à madeira. É baseado no consumo consciente.

· Planejamento do uso da terra -- defende técnicas de desenvolvimento benéficas ao meio ambiente, como a redução das áreas urbanas e suburbanas.

· Exploração florestal comunitária -- cidadãos envolvidos se unem para administrar e participar da conservação e sustentabilidade de suas florestas locais. [fonte: Forests.org]

Morcegos podem salvar a floresta tropical?

Um fato pouco conhecido: os morcegos polinizam, como asabelhas ou borboletas. Comem frutas ou néctar, o que os torna excelentes veículos para dispersar sementes e polinizar florestas em uma área ampla. Ao construir ninhos artificiais de morcegos em áreas desmatadas, pesquisadores esperam que os morcegos dispersem sementes e ajudem a reflorestar áreas. Um recente estudo desses ninhos, na América Latina, mostrou a dispersão de 60 tipos diferentes de sementes. [fonte: Science Daily].


A questão do desmatamento no Brasil

O desmatamento no Brasil é um fenômeno historicamente semelhante ao do resto do mundo, fruto da desenfreada atividade humana. É só lembrar que o país tem esse nome, graças à árvore Pau-Brasil, que, na época dodescobrimento, era matéria-prima importante para móveis e corantes. E que, hoje, limita-se a crescer em pouquíssimas regiões do país.

A Mata Atlântica, que já foi um imenso território, é a principal grande vítima da colonização e hoje tem cerca de 7% do que seria seu território original, tornando-se um dos principais hotspots ambientais. E, atualmente, uma das grandes preocupações do mundo inteiro é a floresta amazônica. Como a maior floresta tropical do mundo, a região é um grande sorvedouro de carbono. Por isso, o desmatamento da sua região é responsável por cerca de 70% das emissões de dióxido de carbono do Brasil (Fonte: Agência Estado).

São desmatados cerca de 21 mil quilômetros quadrados por ano, o que representa um Estado de Sergipe de floresta no chão por ano. O desmatamento é monitorado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que dá o número oficial do governo federal para o problema. Tais números, que, algumas vezes, são divergentes, ajudaram a políticos contestarem os valores oficiais. É o caso do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, que, no início de 2008, bradou contra os resultados que apontavam seu Estado como o campeão do desmatamento e dizia que não acreditava nos dados do Inpe (Fonte: Agência Brasil). É notório ver no site do próprio instituto que os dados são considerados estimativas. Obviamente, isso acontece porque os dados, que são colhidos via satélite, acabam prejudicados por questões climáticas como a presença de nuvens.

Além do Inpe, outras organizações independentes como a organização não-governamental Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon) fazem o monitoramento e muitas vezes seus números podem divergir. Isso porque a ong considera apenas os locais onde houve remoção total da floresta. Já o Inpe registra também áreas de degradação florestal, ou seja, em que a mata não foi totalmente derrubada. A metodologia do Imazon deve mudar até 2009.

Causas

Há várias causas para o desmatamento do Brasil na atualidade. Grilagem de terra, exploração ilegal de madeira, urbanização não planejada, mineração etc. Enfim, são todos fatores comuns a outras regiões do mundo vítimas de desmatamento. A real diminuição da devastação depende, segundo os especialistas, de uma grande conjução de fatores como fiscalização efetiva, diminuição da corrupção, aplicação de formas sustentáveis de exploração econômica da região, urbanização planejada, engajamento das populações tradicionais ao combate do desmatamento etc. Enfim, nenhuma solução única, nem milagrosa. Bom, se você quiser ter mais alguns detalhes sobre o assunto, leia a página sobre degradação da floresta do artigo Como funciona a Amazônia.